Este é mais um texto do meu amigo Gilvan. Surgiu a partir de uma conversa. As ideias, na cabeça dele, brotam assim, feito chuva numa tarde de verão.
ROSAS E DANINHAS
Gilvan
Flores existem de todas as espécies. Grandes e pequenas, cheirosas e "neutras", com ou sem espinhos, resistentes ou avessas à água, coloridas ou não. Enfim, uma infinidade de espécies. Contudo, no reino delas, algumas têm história, são ou merecedoras de honrarias ou, ao contrário, preteridas pelo mal que causam. Assim são as rosas e as daninhas. Enquanto as primeiras viram letra de músicas e cantigas, as últimas sequer são mencionadas ou lembradas nas rodas infantis. Rosas são poéticas, daninhas são danosas. Os espinhos das rosas, para o desespero dos que dela sentem ciúmes, mais do que ferirem, dão-lhe verdadeiro charme. As daninhas, apesar de espinhos não possuírem, matam e sufocam. As rosas sequer precisam de invólucro, pois a beleza lhe é inata. As daninhas, por sua vez, por mais que tentem se parecer com rosas, jamais terão seu perfume e sua beleza. As rosas desabrocham e murcham no tempo certo, naturalmente. As daninhas sequer o tempo conhecem, pois como sanguessugas e vampiros extraem a vitalidade alheia. Assim, o tempo que vivem não lhes pertence. Mais cedo ou mais tarde, vem o ceifeiro e limpa o terreno. Só ficam as rosas...
Este ano, sabe-se, é ano de eleição. Com ela, muitos desafios. O primeiro é convencer os eleitores de que a participação política – que não deveria se resumir ao simples depósito do voto na urna – é vital para que venhamos corrigir as distorções, erros e injustiças que nascem, também, do pérfido e mal cheiroso "sistema" político-partidário brasileiro. Um sistema corrompido, não confiável e confuso. Um sistema que perpetua as nefastas práticas de apadrinhamento, de compra de votos, de promessas voltadas ao benefício de poucos que, logo adiante, só fazem inchar de Cargos em Comissão (CCs) e Funções Gratificadas (FGs) os gabinetes e secretarias. Poucos ganham, quase todos perdem. Perde a coletividade. 2012 é um ano para, novamente, optarmos. Qual é o tipo de cidade que desejamos? Qual é o perfil de parlamentar que queremos? Legisladores boçais, ignorantes, brucutus? Vereadores jurássicos que se perpetuam na Câmara pautados em práticas coronelistas típicas do República Velha? Cachoeirinha precisa respirar novos ares. O Município necessita de representantes capazes de auscultarem os verdadeiros anseios e carências nascidas junto à comunidade. Precisa de homens e mulheres verdadeiramente comprometidos com a ética, com a justiça, com a seriedade em relação à coisa pública.
Neste ano, elejamos rosas e não daninhas. Destas últimas, os homens e mulheres de boa-vontade estão saturados e cansados. Já não mais acreditam em seus propósitos e sua lábia. Por mais que se maquiem, se transformem ou se vistam, serão sempre daninhas. Jamais terão o perfume, a beleza e o esplendor das rosas...
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