terça-feira, 31 de julho de 2012

                  Encantamento....



Um mundo de magia e encanto é o que se vislumbra quando o portão da Escola Querência é aberto e adentramos neste espaço.
Além de um lugar  arborizado, de brinquedos que já não via desde a minha infância, as construções dos espaços são acolhedores, aconchegantes e convidativos.
As salas de aula são como ir folheando um livro de histórias com muitas gravuras, que a cada página apresenta uma surpresa.
Como um conto de fadas, se vê o brilho no olhar das crianças e dos professores.
A cantina parece acolher como um abraço quentinho no inverno frio.
E para completar esta atmosfera mágica, a música de um piano ecoa no ar, vinda de uma tenda, onde uma professora, com um grupo de alunos, vivencia esse momento.
Uma escola sem diretor, onde os professores e pais conjuntamente administram e mantêm a escola.
Investem nas potencialidades dos educandos, que vão revelando seus talentos. Há uma valorização do natural, do simples, do resgate aos valores já esquecidos na sociedade da tecnologia e do consumo.
Respeito ao desenvolvimento natural da criança, ao ritmo individual. A liberdade de ser criança no tempo dela, tratada na sua integralidade, no pensar, sentir e querer.
Organização curricular por época; mergulham e vivenciam com profundidade nelas, como se estivessem numa viagem a um determinado lugar, onde se vive intensamente aquela cultura. Desta forma os conteúdos não são fragmentados, nem desconectados do todo, ou trabalhados de forma superficial. Findada esta viagem, todo aquele conhecimento adquirido fica acumulado, dormindo, por um tempo, enquanto uma outra época é vivenciada da mesma forma .
Alicerçada na Pedagogia Waldorf, cujo foco principal é o desenvolvimento dos seres humanos capazes, por eles próprios, de dar sentido e direção às suas vidas. Pedagogia esta que se fundamenta na antroposofia, palavra de origem grega que significa sabedoria humana, ciência introduzida pelo filósofo Rudolf Stainer, que estuda o ser humano em seus três aspectos: o físico, a alma e o espírito.
O currículo se orienta pela lei básica da biografia humana, os setênios (0-7 / 7-14 / 14-21 anos) e oferece ricas vivências.
Saindo da escola, enquanto o portão se fechava atrás de nós, tive a sensação de que virava a última página de um livro em que havia lido uma linda história de amor, encantamento e magia. Onde as cores da esperança em um mundo mais humano eram pintadas num tom harmônico e exalavam suavemente um cheiro de infância e uma saudade de um lugar que estava guardado em algum canto da minha memória e se fez presente por alguns instantes. Tudo isso se dissipou quando o barulho e a vida frenética da capital me trouxeram de volta para a realidade que se agigantava como um obstáculo imponente para uma cultura de paz, solidariedade, afetividade e conexão universal.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


REFLEXÕES:


Somos cidadãs e cidadãos deste tempo histórico. Um tempo que se movimenta numa  velocidade para além da possibilidade de processar todas as informações, de fazer as reflexões necessárias para a elaboração de novos conceitos.
A desacomodação gerada por toda esta evolução científica e tecnológica tem nos distanciado das relações interpessoais.
A perversidade de um sistema que intensifica a competição, que dita padrões e convenções afeta o cotidiano, gerando conflitos de identidades esvaziadas, desencadeando um processo de busca por respostas e afirmações.
É dentro deste contexto que a escola está inserida. É neste tempo histórico que precisa ser pensada, como um elemento orgânico, vivo, dinâmico, que contemple a diversidade e acolha a todos, indistintamente.
A escola é uma comunidade de troca de conhecimentos.
A centralidade de um projeto de educação deve ser a aprendizagem, como um direito social, rompendo com uma cultura de práticas escolares excludentes, construindo um fazer pedagógico pautado no cuidar e educar, prazeroso, desafiador, acolhedor e afetivo.

Rosa Maria Lippert
Presidente do CME


                                                                                                                                  

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Gilvan!!!

Salve, grande sonhador!!
Fala bonita, que compartilha os mesmos sonhos.
Grande impulsionador deste "projeto", que por hora repousa, como uma semente, que se alimentada com os nutrientes necessários, poderá vir a brotar e se tornar uma experiência significativa.
Tudo tem seu tempo, a hora certa de acontecer. Precisamos estudar e refletir muito, para não virmos a nos tornar parte desta cultura enraizada e solidificada.
Obrigada pelo apoio, pelas reflexões sempre carregadas de conhecimento e pela crença que é possível fazer bem, com ética e dignidade as ações políticas, com clareza do que é público e do que é privado.
Um super, mega abraço!!!
Rosinha.
O GRÃO DE MOSTARDA

Gilvan


blog: profgilvanteixeira.blogspot.com.br

Quem não conhece a parábola bíblica do grão de mostarda? Entre as sementes talvez a menor, mas a simbologia... Foi dada a largada oficial para campanha eleitoral, sim porque a campanha “informal” – escancarada e tecnicamente “proibida” – há muito que está nas ruas, sob todas as formas: meios eletrônicos, adesivos de carros, camisetas, “corpo a corpo”, entre tantas outras. Sem falar naqueles que fazem campanha há anos e, pasmem, diariamente, com práticas típicas da pior espécie de se fazer política, qual seja, a da troca de favores. Neste município se troca votos por remédios, lâmpadas, leitos hospitalares, “cargos em comissão”, “funções gratificadas”, estágios remunerados. Bom, deixemos isso de lado. Como ia dizendo, foi aberta a temporada de caça... aos votos. Estes, feito patos, viram alvo. Para conquistá-los, muitos dos candidatos atiram para tudo que é lado. “Conquistar” talvez não seja o termo mais adequado, pois que a conquista – ao menos no plano do amor – pressupõe respeito, espera, paciência, abnegação, altruísmo e mais uma centena de virtudes. O que se vê é uma espécie de “estupro”, tomada à força, onde os valores acima são substituídos por práticas invasivas que atentam contra o bom senso e a paciência dos pobres eleitores. Candidatos mal alfabetizados pousam de doutores, enquanto doutores trocam suas fatiotas por vestes do povo, mais fazendo lembrar lobos em meio às ovelhas. Apela-se para religiosidade, sensualidade, títulos honoríficos. Para Deus e para o Diabo. Para Bíblia e para a numerologia. Tem de tudo. Há os que adotam nomes de super-heróis, mesmo que de comédia “pastelão”. Candidatos e candidatas que investem nas roupas e nas plásticas para ficarem mais apresentáveis, só fazendo aguçar a desconfiança de que, para eles, a aparência precede a essência, a embalagem o conteúdo.

Para alguns, como eu, a campanha mal iniciou, já terminou. Findou com a desistência da Rosa Maria Lippert, ou simplesmente Rosinha, em concorrer à vereança. Obra do destino ou, talvez, do descuido. Contudo, em que pese a desistência, nossa querida amiga semeou ideias, posicionamentos, reflexões. Fez ressuscitar a crença de que Cachoeirinha pode e deve ser uma cidade mais limpa, justa, fraterna, sustentável, segura, inclusiva, lúdica e, principalmente, feliz. É uma figura rara, daquelas que ao falar, o faz com paixão. Mostra-se convencida e faz convencer de que somente uma educação de qualidade tem o poder de revolucionar esta cidade. Foi-se a campanha, mas as ideias, assim como o grão de mostarda, seguirão firmes, potencialmente transformadoras.

Cachoeirinha precisa de representantes à altura dos homens e mulheres de bem, munícipes que labutam, pagam seus impostos e tributos, em que pese a contraprestação de serviços públicos essenciais muito aquém do desejável. Representantes que não se alinhem a interesses privados e corporativos espúrios, mas que sejam – de fato – espelhos dos interesses e demandas da coletividade, mesmo que em toda sua complexidade. Nosso Município precisa voltar a crer, a ter fé. Esta, mesmo que no tamanho de um grão de mostarda, é capaz de mover montanhas, de subverter estruturas tão velhas quanto perversas, contribuindo na construção da cidade sonhada por pessoas como ela: Rosinha!

                                        


segunda-feira, 9 de julho de 2012






CARTA AO PARTIDO, CORRELIGIONÁRIOS E SIMPATIZANTES

Utopia. Talvez seja a palavra que melhor expresse o sentimento que motivou minha opção pela via político-partidária como caminho não apenas para o ingresso na Câmara, mas, sobretudo como meio de reflexão, discussão e proposição de ideias, objetivando a construção de uma Cachoeirinha verdadeiramente mais humana, inclusiva e justa. Como educadora que sou não posso deixar de sonhar, de acreditar na capacidade do ser humano em transformar positiva e afirmativamente o seu meio e espaço sociais, em subverter as estruturas que perpetuam e reforçam a injustiça, a exclusão e o analfabetismo político. É a crença na possibilidade de um Município mais fraterno e solidário, esperançoso e menos violento, comprometido com todos – independentemente de sexo, credo, ideologia, condição social ou etnia –, tal crença é a força propulsora de minhas ações ontem, hoje e as que virão. Nasci “povo”, vivo e convivo como “povo”. Estou umbilicalmente ligada a ele. Portanto, não poderia – e não o fiz! – me furtar à obrigação política (não partidária) de aceitar o convite de muitos amigos em participar do pleito que se avizinha em outubro. Porém, pelo pouco tempo que tinha disponível em relação a uma agenda de trabalho com carga horária de 12h diárias e mais responsabilidades familiares, num ano bem atípico, em que se somam algumas atividades não previstas anteriormente, tal sentimento tem suscitado muitas dúvidas, trazendo por certo inúmeros prejuízos no que tange à mobilização de amigos e simpatizantes em torno da futura candidatura. O que deveria ser prazeroso e contagiante, nos últimos dias tem se transformado em preocupação comigo e, principalmente, com todos aqueles que viam no meu nome uma alternativa viável para uma cidade melhor. Ante o exposto, VENHO ATRAVÉS DESTA, MANIFESTAR MINHA DESISTÊNCIA À CANDIDATURA. Não poderia fazê-lo sem antes agradecer ao PSB, partido que escolhi; ao Prefeito Vicente Pires, pela acolhida; ao Juliano Paz – de forma muito especial – pelo apoio, amizade e pela demonstração de que ainda se faz política com ética e probidade; à minha família por ter aceitado dividir o já escasso tempo que tenho com ela; e, principalmente, a todos os meus amigos e amigas (que não me atrevo a citar nomes sob o risco de cometer injustiças...) que não titubearam em abraçar o nosso Projeto de uma Cachoeirinha fundada em novos paradigmas, de uma cidade para TODOS!
Cachoeirinha, 03 de julho de 2012.
Rosa Maria Lippert/Rosinha



sexta-feira, 6 de julho de 2012


Este é mais um texto do meu amigo Gilvan. Surgiu a partir de uma conversa. As ideias, na cabeça dele, brotam assim, feito chuva numa tarde de verão.


ROSAS E DANINHAS
Gilvan
  
Flores existem de todas as espécies. Grandes e pequenas, cheirosas e "neutras", com ou sem espinhos, resistentes ou avessas à água, coloridas ou não. Enfim, uma infinidade de espécies. Contudo, no reino delas, algumas têm história, são ou merecedoras de honrarias ou, ao contrário, preteridas pelo mal que causam. Assim são as rosas e as daninhas. Enquanto as primeiras viram letra de músicas e cantigas, as últimas sequer são mencionadas ou lembradas nas rodas infantis. Rosas são poéticas, daninhas são danosas. Os espinhos das rosas, para o desespero dos que dela sentem ciúmes, mais do que ferirem, dão-lhe verdadeiro charme. As daninhas, apesar de espinhos não possuírem, matam e sufocam. As rosas sequer precisam de invólucro, pois a beleza lhe é inata. As daninhas, por sua vez, por mais que tentem se parecer com rosas, jamais terão seu perfume e sua beleza. As rosas desabrocham e murcham no tempo certo, naturalmente. As daninhas sequer o tempo conhecem, pois como sanguessugas e vampiros extraem a vitalidade alheia. Assim, o tempo que vivem não lhes pertence. Mais cedo ou mais tarde, vem o ceifeiro e limpa o terreno. Só ficam as rosas...
Este ano, sabe-se, é ano de eleição. Com ela, muitos desafios. O primeiro é convencer os eleitores de que a participação política – que não deveria se resumir ao simples depósito do voto na urna – é vital para que venhamos corrigir as distorções, erros e injustiças que nascem, também, do pérfido e mal cheiroso "sistema" político-partidário brasileiro. Um sistema corrompido, não confiável e confuso. Um sistema que perpetua as nefastas práticas de apadrinhamento, de compra de votos, de promessas voltadas ao benefício de poucos que, logo adiante, só fazem inchar de Cargos em Comissão (CCs) e Funções Gratificadas (FGs) os gabinetes e secretarias. Poucos ganham, quase todos perdem. Perde a coletividade. 2012 é um ano para, novamente, optarmos. Qual é o tipo de cidade que desejamos? Qual é o perfil de parlamentar que queremos? Legisladores boçais, ignorantes, brucutus? Vereadores jurássicos que se perpetuam na Câmara pautados em práticas coronelistas típicas do República Velha? Cachoeirinha precisa respirar novos ares. O Município necessita de representantes capazes de auscultarem os verdadeiros anseios e carências nascidas junto à comunidade. Precisa de homens e mulheres verdadeiramente comprometidos com a ética, com a justiça, com a seriedade em relação à coisa pública.
Neste ano, elejamos rosas e não daninhas. Destas últimas, os homens e mulheres de boa-vontade estão saturados e cansados. Já não mais acreditam em seus propósitos e sua lábia. Por mais que se maquiem, se transformem ou se vistam, serão sempre daninhas. Jamais terão o perfume, a beleza e o esplendor das rosas...